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Qual tipo de parto decidir?

por artmedicina em Curiosidades em Novidades em Saúde
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A gestação de um bebê pode ser encarada como um tempo que a natureza humana, sabiamente, nos reserva para a preparação da chegada desta nova vida e da formação de uma nova família.

Por tantas vezes desejada, a gestação promove um turbilhão de emoções e ansiedades, entre elas a insegurança da mulher sobre qual tipo de parto decidir.

Segundo dados de uma pesquisa divulgada em 2018 pelo periódico The Lancet e que avaliou dados de 169 países, o número de cesarianas, que é o parto cirúrgico, elevou de 12% em 2000 para 21% em 2015, sendo que em alguns países esta taxa chegou a até 60%, índice bem próximo ao do Brasil que é de 55,5%.

A taxa brasileira de cesarianas está muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que é de até 15%.

A utilização da cesariana não deve ser demonizada, pois em casos de alto risco é ela a responsável por preservar a vida da gestante e do bebê. Porém, o alto índice brasileiro leva a questionamentos por parte das associações reguladoras ou organizações em prol da saúde da mulher quanto à prescrição sem critérios, não só da cesariana, mas de outras intervenções na hora do parto como a episiotomia (corte no períneo).

A prática rotineira de cesarianas motivou a elaboração de diretrizes de assistência ao parto normal no Brasil, liderado pelo Ministério da Saúde em 2017. Com base em evidências médicas, o objetivo é promover o acolhimento das mulheres, incentivando que elas sejam protagonistas da elaboração de seu plano de parto.

Com este planejamento, sempre com a orientação médica, a mulher recebe informações durante o pré-natal sobre a hora do parto e define com mais autonomia aspectos como onde, quando e como dar à luz.

Embora existam diferentes denominações para tipos de parto: normal, natural, vaginal, cesariana, cócoras, na água, etc., a divisão basicamente é entre parto vaginal ou cirúrgico. Portanto, a cesariana (ou cesárea) é o parto com intervenção cirúrgica, todos os demais são variações do parto vaginal.

Parto cesariana ou parto vaginal – entenda as peculiaridades

A cesariana é uma intervenção cirúrgica que passou a ser utilizado há cerca de 70 anos quando a maiorias dos partos passaram a ocorrer no ambiente hospitalar.

Sua recomendação deve ocorrer em casos de risco para a vida da gestante e/ou da criança como: apresentação pélvica (bebe sentado), casos específicos de gestação gemelar, desproporção céfalo-pélvica ou quando há suspeita de descolamento da placenta ou placenta prévia total ocluindo o canal de parto.

As principais características do parto cesárea são: trabalho de parto mais curto, uso de anestesia, recuperação mais lenta e dolorosa para a mulher, complicações inerentes à intervenção cirúrgica, cicatriz do corte abdominal, amamentação inicial dificultada, maior risco de prematuridade do bebê e maior risco de doenças respiratórias no bebê.

Já o parto normal é o processo mais natural de nascimento do bebê. Se for hospitalar ele pode ter intervenção médica como o uso de anestesia, ocitocina (hormônio sintético que induz as contrações uterinas) e episiotomia.

É caracterizado por apresentar: trabalho de parto mais longo, com ou sem anestesia, recuperação mais rápida e menos dolorosa, menos risco de complicações, cicatriz vaginal menor (e apenas se houver episiotomia), amamentação inicial facilitada, menor risco de prematuridade do bebê e de doenças respiratórias no bebê, pois durante o parto normal, o bebê passa por transformações hormonais e fisiológicas que contribuem para o amadurecimento do sistema respiratório.

Independentemente da opção de parto, é importante salientar que a ideia de parto humanizado, muitas vezes associada apenas ao parto vaginal e domiciliar, representa na verdade um conjunto de condutas de assistência à parturiente.

Estas condutas devem preconizar a não existência de práticas que caracterizem violência obstétrica: uso criterioso da episiotomia e a não utilização da manobra de Kristeller (técnica que pode ocasionar lesões no bebê ao pressionar a parte superior do útero para acelerar a saída na hora do parto), e também o respeito à liberdade de escolha da mulher e o melhor acolhimento para alívio da dor: posição mais confortável (deitada, agachada, na água), privacidade, uso de técnicas de relaxamento, jejum não obrigatório, presença de doulas e/ou acompanhante e contato imediato com o bebê como estímulo à amamentação e ao vínculo maternal.